Leia Isaías 52.7-12
“Quão
formosos são sobre os montes os pés do que anuncia boas-novas, que faz ouvir a
paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: “O seu
Deus reina”! (Isaías 52.7)
Todo
discípulo de Jesus é chamado a ser um mensageiro de boas-novas. Vivemos um
tempo onde a propagação de mensagens caóticas, mentirosas e caluniosas, as
chamadas “fake news” estão se multiplicando com o advento das redes sociais. E
compartilhar tais mensagens é ser conivente com a propagação de uma mentira.
Infelizmente, muitos discípulos de Jesus têm incorrido nestes erros, talvez
involuntariamente ou não. E isto é grave ao imaginar que fomos chamados pelo Senhor
a proclamar as boas-novas, especialmente neste tempo de profunda crise
humanitária que vivenciamos.
Por
isso, é importante analisarmos o texto de Isaías 52.7. A imagem do mensageiro,
que Isaías aponta em sua profecia, é bem sugestiva em relação ao momento em que
o povo de Deus enfrentava uma de suas maiores crises, o exílio babilônico. Tal
pregação profética faz parte de um conjunto de profecias isaiânicas, que vai do
cap. 40 ao 55, surgidas neste período de crise com o propósito de trazer
esperança ao povo. Este conjunto de textos proféticos também é conhecido como o
“livro da consolação” (40.27-31; 41.8-16; 43.1-7; 44.1-2 etc.) e a consolação
consiste na libertação do jugo opressor babilônico (40-48) e o regresso à terra
prometida (49-55).
Pois
bem, o cap. 52.7-12 retrata a volta do Senhor para casa, o Sião e esta volta
significa a condução do povo liberto da opressão de volta à Terra Prometida. O
cenário apontado na profecia é de grande expectativa, pois os “atalaias” (v.8),
que representa o povo aflito e machucado pelo exílio, estão à espreita
aguardando a chegada do mensageiro e sua notícia.
O
profeta destaca os “pés formosos” do mensageiro (v.7). O mensageiro tem por
característica a rapidez dos seus pés, pois tem a responsabilidade de entregar
a notícia o mais rápido que pode. E diante da qualidade da mensagem que ele
carrega não tem como deixar de expressar que realmente os seus pés são
formosos. Na verdade, todos os pés daqueles que anunciam a mensagem de Deus são
formosos!
E
Isaías descreve o mensageiro como o portador das boas-novas e elas retratam a
salvação divina. A mensagem é tríplice: “paz”, “coisas boas” e “salvação – Deus
reina”. 1) a paz indica o restabelecimento de todas as coisas, inclusive das
relações, especialmente de Deus para com seu povo. O termo “paz” (shalom) significa muito mais do
que mera ausência de guerra. Ela denota inteireza, integridade, harmonia e
realização. “Shalom é o resultado da atividade divina na aliança (berit) e
também o resultado da retidão (Is 32.17) (...) na maioria dos casos shalom
descreve o estado de plenitude e realização, que é resultado da presença de
Deus” (HARRIS (org.), 1998, p. 1573). 2) As “coisas boas” representam a
harmonia e a bênção da criação e lega uma condição na qual os propósitos da
criação são concretizados (bem, tob; cf. Gn1.4,10 etc.). 3) A salvação remonta
a libertação da escravidão, mas particularmente da escravidão resultante do
pecado. Todas estas características da mensagem de salvação do mensageiro
apontam para o reinado de Deus, ou seja, onde o Senhor reina há paz, o bem e a
salvação.
É
interessante notar que todo o conceito de boas-novas impressa na profecia de
Isaías passou a ser um marco referencial para a fé bíblica. Inclusive ela se
harmoniza com o pensamento cristão a partir da palavra “evangelho”
(euangelion). Jesus instruiu seus discípulos a saírem pelas ruas anunciando as
boas-novas (Mt 10.1-7) e Paulo, em Romanos 10.15, aponta para a importância de
pregar as boas-novas citando a profecia de Isaías 52.7. Portanto, os cristãos
primitivos em harmonia com Isaías entenderam que a proclamação das boas-novas do
reinado de Deus compreende uma mensagem de paz, bem e salvação.
Portanto,
neste tempo de crise que estamos passando existem milhares de pessoas que estão
aflitas e como a figura de linguagem de Isaías elas são como os atalaias que
vigiam os muros das cidades esperando a chegada do mensageiro que possa trazer
as boas-novas. Nós, discípulos de Jesus, que possamos ser esses mensageiros que
exerçam seu chamado de proclamar as boas-novas de paz, bem e salvação.
Com amor,
Pr. Daniel Neves Stephen
Referência Bibliográfica
HARRIS, Laird (Org.).
Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida
Nova, 1998.
MOTYER, Alec. O
comentário de Isaías. São Paulo: Shedd publicações, 2016.
OSWALT, John. Isaías:
Volume 2 – capítulos 40-66. São Paulo: Cultura Cristã, 2011.
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